17/02/2008Flexibilidade em Parkinsonianos
Prof. Mestre Andrei Guilherme Lopes
andreiglopes@yahoo.com.br
Para facilitar o estudo da flexibilidade em parkinsonianos, primeiramente deve-se entender o que é a Doença de Parkinson ou Mal de Parkinson. A Doença de Parkinson (DP) é um distúrbio neurológico progressivo causado pela degeneração de neurônios da chamada “substância negra” do cérebro, principal área de produção de dopamina, importante neurotransmissor na execução e regulação de funções motoras coordenadas (REUTER & ENGELHARDT, 2002).
Com o progresso da DP, que atinge em sua grande maioria, pessoas com mais de 50 anos de idade, surgem uma série de sinais e sintomas motores. O entendimento dos termos técnicos característicos da DP facilita o entendimento da doença, desta forma, seguem algumas definições:
- Sinais: eventos decorrentes da DP que podem ser vistos observando-se o paciente.
- Sintomas: Eventos decorrentes da DP que são relatados pelo paciente, o que ele sente.
- Acinesia: pobreza na qualidade dos movimentos e lentidão na iniciação e execução de atos motores;
- Acinesia súbita ou congelamento (freezing): perda repentina da capacidade de iniciar ou manter a execução de uma ação motora motora. Paralização súbita dos movimentos dos membros inferiores, o que muitas vezes leva à quedas.
- Bradicinesia: lentidão na execução de movimentos.
- Hipocinesia: pobreza de movimentos que envolve inúmeros fatores como redução na expressão facial (hipomimia), diminuição da comunicação gestual corporal, incluindo membros superiores durante a marcha e redução da deglutição automática da saliva, levando o indivíduo a babar (sialorréia);
- Acatisia: compulsão à movimentação. O indivíduo se torna bastante agitado fisicamente e com dificuldade em controlar os movimentos dos membros.
- Festinação: uma aceleração involuntária da marcha, passos pequenos, arrastando os pés e de maneira bastante rápida;
- Cinesia paradoxal: uma melhora repentina, porém de curta duração no que se diz respeito ao desempenho motor quando o indivíduo está sobre estresse emocional.
- Instabilidade postural: resultado da perda de reflexos posturais, que mantêm o bom equilíbrio e a postura, geralmente ocorre apenas em atividades que exijam mais agilidade por parte do indivíduo como mudanças bruscas de direção durante o andar, podendo tornar maior a chance de quedas.
Estudos mostram que em parkinsonianos os níveis de flexibilidade são semelhantes aos encontrados em idosos asilados, pois alem do decréscimo natural causado pelo envelhecimento, ainda há influencia dos fatores ligados à doença como a rigidez muscular. Os o sedentarismo também prevalece em parkinsonianos, seja pela dificuldade em se locomoverem para praticarem exercícios ou pelo isolamento social.
Para a avaliação da flexibilidade, não são necessários testes específicos ou equipamentos adaptados, mas é muito importante o respeito às condições físicas e nível de comprometimento motor decorrente da DP em que o avaliado se encontra.
Ao elaborar um programa de treinamento para parkinsonianos deve-se levar em conta fatores relacionados à flexibilidade e rigidez muscular como a falta de mobilidade de membros inferiores e de tronco.
Como a DP é uma doença crônico-degenerativa, os exercícios físicos devem ser considerados uma opção no auxilio á desaceleração das perdas nos componentes de capacidade funcional, podendo melhorar a execução das atividades da vida diária e qualidade de vida dos parkinsonianos.
Algumas dicas para a elaboração de um programa de flexibilidade para parkinsonianos:
- o aquecimento prévio facilita o relaxamento muscular e acomodação do participante, tornando o exercício mais confortável durante a prática.
- o alongamento não deve causar dor intensa ao praticante, tornando-se algo prazeroso e eficiente, pois assim como qualquer exercício, o excesso é tão prejudicial quanto a falta.
- a respiração durante execução dos exercícios deve ser mantida de maneira calma e contínua, evitando-se momentos de apnéia ou hiperventilaçao.
- em um programa de alongamento ativo, onde o próprio praticante se realiza os exercícios sob orientação de um profissional.
- para iniciantes, é recomendada duração de 10 a 30 segundos em cada posição, repetindo-se 3 vezes cada.
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em um programa de alongamento passivo, onde o orientador da atividade é responsável por impor a tensão adequada e realizar os movimentos no participante, deve-se respeitar a quantidade de rigidez muscular e incentivar o relaxamento muscular pelo toque e também verbalmente.
- com a rigidez muscular há uma diminuição significativa da mobilidade de tronco, portanto exercícios envolvendo músculos envolvidos na rotação de tronco são extremamente importantes na independência do parkinsoniano.
- melhoras na flexibilidade dos membros inferiores trazem melhoras importantes no dia-a-dia de pessoas com DP, pois com a melhora da amplitude articular ocorrem melhorias como o aumento das passadas e na qualidade do andar.
Portanto, assim como qualquer outra população, os parkinsonianos podem tirar proveito dos efeitos benéficos da prática regular de exercícios físicos, mas sempre acompanhados e orientados por um profissional capacitado e atento às suas necessidades.
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